5 de set de 2013


Uma das nossas (várias) preocupações durante o projeto era a incerteza de que o espetáculo funcionaria fora dos limites da Luz. Com tanta referência ao parque e com o cenário cinematográfico que o parque da Luz proporciona ao espetáculo, como funcionaria nosso espetáculo "Marias da Luz" fora dos limites do parque, cada semana em uma cidade diferente, percorrendo cinco regiões brasileiras? 
A cidade que mais confrontamos isso foi Goiânia, nossa primeira cidade fora do parque da Luz. Um parque muito bonito, mais parecido com o Ibirapuera de SP. Um parque mais voltado a atividades físicas. Foi nesse parque que nos deparamos pela primeira vez de fato com o que seria uma adaptação de um espetáculo de rua itinerante como o nosso e que fala de São Paulo para outro lugar. Percebemos que as cenas se deslocam em função do ônibus que participa (também itinerante) de três cenas do espetáculo. Em função das ruas que ele consegue transitar, adaptamos as outras cenas. O texto também foi ligeiramente adaptado. Quando a cidade de São Paulo aparece enquanto memória, recordação, fotografia, a citação é mantida. Mas se a ação é no presente, o texto é transferido para o espaço em que nos encontramos, para que a platéia tenha a sensação de que a trama se desenvolve no aqui e agora. 
Também nosso olhar sobre o espaço que escolhemos mudou. Mais do que um parque bonito e arborizado o espetáculo funciona em espaços históricos, que guardam um pouco de memória e do passado, o que encontramos nas regiões norte e nordeste e menos na centro-oeste.  Mesmo que esses locais, os centros históricos maravilhosos e caindo aos pedaços estejam em total abandono, o que dá uma tristeza infinita, registrar o abandono nacional de gente, nossa gente, e história, nossa história. Nosso espetáculo fala disso: abandono.
Temos um cena numa estação de trem que se passa em outra época. E deparamos com o fato já sabido da total ausência de linha férrea no Brasil. A presença da linha de trem no parque da Luz se transferiu para nosso espetáculo, mas o trem é fantasma  Brasil afora. 
A melhor surpresa nossa é que o espetáculo funciona como na Luz nas várias cidades que percorremos. As pessoas acompanham as personagens e se emocionam com elas independente de onde estamos. As histórias tem uma humanidade que permite o espectador acompanhar a história sem barreiras. Isso foi um presente.
Passado o primeiro susto de Goiânia, fomos para Planaltina e lá contamos com a presença do nosso diretor, o André Carreira. Que nos permitiu tiramos dúvidas da adaptação e discutirmos bastante sobre o espetáculo e a função de cada cena. 
Em Palmas já estávamos bem mais seguras  para fazer o espetáculo. Foi nesta cidade que uma das atrizes apresentou problemas de saúde. Como ela ainda não tinha aval médico para continuar fazendo o espetáculos tivemos que a toque de caixa rever algumas ações  e não prejudicar o andamento do projeto. Em Belém para não cancelarmos uma cidade e ganharmos tempo para ensaiar uma stand-in, fizemos o espetáculo Canto a canto. É um espetáculo de rua, também itinerante, com música e poesia, feito para apenas uma pessoa. 
No primeiro dia fizemos no parque (?)....... mas pela falta de público no segundo dia fomos para a praça da República, onde acontece uma grande feira de artesanato com um grande número de pessoas o que justifica mudança de espaço.
Nesse meio tempo contatamos uma atriz, o que não é tarefa fácil, pois precisávamos de alguém forte com atriz para pegar o papel rápido e que tivesse disponibilidade. Escolhemos a atriz Paola Musatti que estreou em São Luís - MA no dia 30/08 lindamente! Foram duas semanas para assistir o vídeo, decorar o texto, adaptar cenário, como as fotos de personagem que percorrem o espetáculo, adaptação do figurino e remanejamento de orçamento,  dois dias de ensaio em São Paulo no parque da Luz, onde o André Carrei

ra também estava presente. Um projeto desse porte está sujeito a chuvas e trovoadas! E após essa trovoada, seguimos para Fortaleza, torcendo para a melhora da nossa companheira, que ela volte logo! E agradecidas com o talento e disposição da Paola Musatti pra garantir o prosseguimento do projeto. Fé em Deus e pé na estrada!
Vera Abbud



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