26 de set de 2013


Relatos de viagem IV
Fortaleza à Natal
09/09 segunda feira
Saímos do hotel logo cedo, mas fizemos uma grande parada em Messejana, grande Fortaleza, para reparos no ônibus, mais uma vez o retentor de óleo do câmbio quebrou, e  foi a manhã inteira para troca de peças e reparos, aproveitamos para  fazer alguns serviços de auto elétrico e solda. Pegamos a BR -116 por volta das 14hs, estrada muito movimentada, mas com condições razoáveis. Ao anoitecer paramos em Mossoró, segunda maior cidade do Rio Grande do Norte, o nosso ônibus teatro ficou estacionado no Hotel onde causou grande curiosidade dos hóspedes e moradores locais. Me chamou  atenção como aumentou o número de pequenos túmulos enfeitados com flores na beira da estrada, muitos mesmo, de todos os jeitos e tamanhos, sinal de uma morte no local, entristecedor no meio da paisagem.
10/09 terça feira
Logo cedo na estrada com destino a Natal, com direito a uma parada para descanso em São Miguel do Gostoso, que dizem, tem praias maravilhosas, cenários exuberantes,  no nosso dia de folga vamos tentar conhecer um pouquinho da gostosura!!!
Até Caiçara do Rio dos Ventos a estrada foi tranquila, mas depois, muito buraco, terra, quase crateras onde o asfalto praticamente desaparecia,  foi assim pelo menos uns 20km, na verdade até chegar na BR-101, que dá acesso a São Miguel.
Hoje reparei que em alguns dos pequenos túmulos da estrada (deve ter um nome pra isso) colocam pedras...2,3,5, várias ...deve ter algum significado, talvez a quantidade de tempo do acidente. Fica muito claro como as estradas são inseguras e perigosas também para quem caminha por ela, na maioria das cidades a rodovia passa por dentro, acredito que a cidade se formou a partir dela, poucos acostamentos e quase nenhuma fiscalização.

11/09 quarta feira
Que delícia São Miguel do Gostoso, povo acolhedor, praias magníficas de água cristalina, muitas dunas e vento, muito vento!!!nunca tinha visto algo parecido, dizem que o vento é porque São Miguel fica na esquina do Brasil, onde o vento faz a curva...
Transporte ideal: Bug, pois alugamos um para temtas conhecer um pouco dessa gostosura!
Fomos à praia do Marco, onde aportaram os descobridores do Brasil, paramos na linda praia de Tourinhos, passamos por pequenos povoados cercados de dunas, onde a energia aeólica está sendo implantada em grande quantidade, é inusitada a  imagem das pequenas casinhas quase afundadas na areia, e ao fundo aqueles enormes postes que como um catavento gigante e futurista se misturam na paisagem.
Ao anoitecer visitamos o Farol, local onde começa a BR-101, estrada que liga Rio Grande do Norte ao Rio Grande do Sul, são quase 5.000 Km de extensão, e nós, a partir de agora viajaremos por ela, por algum tempo.

12/09  quinta feira
Saímos de São Miguel do Gostoso por volta de 10h com destino a Natal, na saída da cidade paramos na “Arca do Tubarão” uma pousada/bar/restaurante/centro cultural,  espaço acolhedor,   onde discos, rádios, cachaças, relíquias e memórias dão um valor especial ao lugar.
Chegamos em Natal por volta de 14h, fomos direto ao Parque das Dunas, local das apresentações e também do estacionamento do ônibus. Na chegada uma falha no motor de partida e rapidamente foi acionado um serviço de auto elétrico que quando chegou já não era mais necessário, pois o ônibus ligou, mas confesso que pra mim restou uma certa preocupação se realmente estava tudo certo. Quando estacionamos mais uma desagradável surpresa:o lona que cobre o palco de cima do ônibus estava totalmente rasgada, na verdade saímos de SP com a lona remendada, em Fortaleza raspamos a lona no portão de entrada do parque juntando com  o vento que é muito forte na região fez com que o conserto não durasse, ainda bem que temos um dia para para correr atrás de uma solução.
13/09  sexta feira
Dia de produção em Natal: levar figurinos para lavanderia, ir ao banco, pagar contas, comprar parafusos e procurar uma solução para resolver o problema  da lona. Optamos por comprar uma lona de nylon,  pois uma nova e emborrachada tem que ser feita sob medida para o nosso ônibus, as de pronta entrega tem medidas muito diferentes, vamos torcer para  essa durar pelo menos até chegar em São Paulo. 
eliana Bolanho



19 de set de 2013

Fortaleza e Natal



Marias da Luz em Fortaleza
Dias 07 e 08 de setembro de 2013
Parque das Crianças
Público aproximado: 150 pessoas

Em Fortaleza, pela primeira vez em nossas viagens pelo Brasil,  fizemos num parque muito parecido com o da luz. Um parque bonito, no centro da cidade, com um belo lago e construções que, assim como na Luz, nos remetem a um outro tempo. E também como no parque da Luz,  bastante frequentado por prostitutas, ao lado da cracolândia de Fortaleza e quase sem crianças, embora o nome do parque seja esse!
O parque estava praticamente vazio quando chegamos lá para começarmos os preparativos do espetáculo e percebemos que nosso público foi pro parque especialmente para nos ver, deixando claro que não frequentavam o lugar. Um público muito carinhoso, que nos agradecia por estarmos ali, por termos escolhido aquele parque, um lugar tão lindo e completamente abandonado pelas questões sociais que ali se escancaram.
E por isso mesmo, nesse parque também fica a secretaria dos direitos humanos e a Julia, uma funcionária que trabalha lá, veio falar com a gente no final do espetáculo e disse que eles também fazem esse trabalho de recolher histórias das mulheres que frequentam o parque, base da criação do nosso espetáculo. Ela foi no sábado e no domingo levou um grupo de mulheres com quem trabalha. Foi emocionante! Mulheres que nos olhavam em cena com a cumplicidade de quem já conhece aquelas histórias.
Foram dois belos espetáculos, onde resgatamos um pouco do nosso processo criativo no parque da Luz: denso, sofrido, mas também forte e exuberante! 

Marias da Luz em Natal
Dias 14 e 15 de setembro
Parque das Dunas
Público aproximado: 250 pessoas

Dunas é um parque lindíssimo, é a segunda maior reserva urbana de  Mata Atlântica do Brasil. Não é à toa que encontramos macaquinhos por onde andamos e até uma cobra foi resgatada pela polícia florestal, quando estávamos nos preparando pro espetáculo. Alguns desses macacos roubaram a cena pois se aproximaram de nós no meio do espetáculo, como se quisessem entender o que se passava ali.
Esse parque fica também ao lado de um hospital psiquiátrico, Dr. João Machado, e segundo os frequentadores do parque, não é novidade quando algum deles pulam o muro e ficam andando pelo parque. E por causa disso, várias das pessoas que entravam no parque e não sabiam do espetáculo, ou não sabiam que ele já tinha começado, achavam que a primeira cena, onde uma mãe escreve no chão e coloca fotos desfocadas de sua filha desaparecida, era na verdade uma mulher que tinha fugido do hospital e que precisava ser levada de volta pra lá.  Isso foi muito impressionante em Natal. Como as pessoas confundiram a ficção com realidade. Teve gente que no final do espetáculo veio pedir desculpas e dizer que não sabia que se tratava de um "espetáculo" e por isso interferiram na cena. Um presente pra nós, que nos colocamos em um lugar cênico desafiador e mágico…
Nesse parque também tivemos nosso maior público. No domingo, aproximadamente 200 pessoas assistiram o espetáculo. Imagens lindas de muitas pessoas caminhando juntas entre as arvores, pássaros e macaquinhos simpáticos que acompanhavam o espetáculo!
              Juliana Gontijo

             Gostaria de acrescentar que em Natal ocorreu um fato inusitado: no final do espetáculo as pessoas acompanharam o ônibus, como uma procissão, como se quisessem continuar com a gente, foi emocionante!!!!
         Eliana Bolanho

                  

12 de set de 2013


RELATOS DE VIAGEM III        -       SÃO LUIS A FORTALEZA

02/09 - SEGUNDA FEIRA
Saímos de São Luis  por volta de 14h, sol forte, céu azul, calor intenso, e a gente de novo na estrada, agora com destino a Fortaleza. Tínhamos uma rota planejada, mas não sabíamos as condições da estrada, até que numa primeira parada encontramos um motorista muito simpático que deu a dica:  – Vá por Parnaíba que a estrada e muito boa!!! Imediatamente me veio a lembrança de um desejo: conhecer o Delta do Parnaíba. Consultamos o mapa e lá vamos nós, desta vez só Rafael Leite pilotando, e eu, de apoio técnico. Anoitecendo chegamos em Chapadinha, simpática cidade, ainda no estado do Maranhão. Estacionamos nosso ônibus teatro num Posto BR, desta vez não para abastecer, mas para dormir num hotel muito aconchegante, onde o recepcionista nos recebeu com atenção e curiosidade, querendo saber o que era o tal de Circular Teatro! ?



Saindo pra jantar  ouvimos som de cornetas ao longe, fomos até a praça central e lá encontramos o  ensaio de uma fanfarra, com instrumentos e balizas que ensaiavam as musicas e coreografias do desfile de “7 de Setembro”. No jantar tivemos a companhia de Dna Dodô, dona do restaurante e  professora aposentada muito simpática, que chegou na mesa dizendo assim “– Percebi que vcs são de fora, então quero conversar um pouco pra trocar  idéias! Posso me sentar?” E assim foi até o final da noite.

03/09 – Terça feira
Antes de sair de Chapadinha tivemos que parar num auto elétrico  pra soldar um fio que havia sido arrumado em São Luis, um calor intenso, uma cidade de muitas motos e bicicletas. Ainda pela manhã cruzamos o Rio Parnaíba e entramos no Piauí,no começo da tarde chegamos em Parnaíba –a capital do Delta das Américas.



04/09 – Quarta feira
Parada de um dia pra conhecer o Delta do Parnaíba!!! Incrível!!!  Mangue, Igarapé, Àgua de Rio, Água de Mar, Dunas, Raízes Flutuantes, tudo junto e misturado, um vento forte que refresca até a alma, e o sorriso largo do povo que nos recebe de braços abertos!!! Que delícia, que privilégio poder  estar aqui!!!
05/09 – Quinta feira
Depois da deliciosa  parada, pé na estrada que ainda temos quase 500Km até Fortaleza!! É impressionante como a mudança da paisagem na entrada do Ceará é espetacular, muitas pedras e serras, um mar de morros  pra nosso deleite.  Alguns trechos de estrada péssimos, mas nosso corajoso ônibus azul atravessa a serra com coragem e vontade de chegar, anoitece e chegamos a Fortaleza, cidade grande, trânsito lento, buzinas, confusão, mas junto com tudo isso o sorriso largo de um povo que olha com curiosidade o nosso Circular teatro passar.

Eliana Bolanho

5 de set de 2013


Uma das nossas (várias) preocupações durante o projeto era a incerteza de que o espetáculo funcionaria fora dos limites da Luz. Com tanta referência ao parque e com o cenário cinematográfico que o parque da Luz proporciona ao espetáculo, como funcionaria nosso espetáculo "Marias da Luz" fora dos limites do parque, cada semana em uma cidade diferente, percorrendo cinco regiões brasileiras? 
A cidade que mais confrontamos isso foi Goiânia, nossa primeira cidade fora do parque da Luz. Um parque muito bonito, mais parecido com o Ibirapuera de SP. Um parque mais voltado a atividades físicas. Foi nesse parque que nos deparamos pela primeira vez de fato com o que seria uma adaptação de um espetáculo de rua itinerante como o nosso e que fala de São Paulo para outro lugar. Percebemos que as cenas se deslocam em função do ônibus que participa (também itinerante) de três cenas do espetáculo. Em função das ruas que ele consegue transitar, adaptamos as outras cenas. O texto também foi ligeiramente adaptado. Quando a cidade de São Paulo aparece enquanto memória, recordação, fotografia, a citação é mantida. Mas se a ação é no presente, o texto é transferido para o espaço em que nos encontramos, para que a platéia tenha a sensação de que a trama se desenvolve no aqui e agora. 
Também nosso olhar sobre o espaço que escolhemos mudou. Mais do que um parque bonito e arborizado o espetáculo funciona em espaços históricos, que guardam um pouco de memória e do passado, o que encontramos nas regiões norte e nordeste e menos na centro-oeste.  Mesmo que esses locais, os centros históricos maravilhosos e caindo aos pedaços estejam em total abandono, o que dá uma tristeza infinita, registrar o abandono nacional de gente, nossa gente, e história, nossa história. Nosso espetáculo fala disso: abandono.
Temos um cena numa estação de trem que se passa em outra época. E deparamos com o fato já sabido da total ausência de linha férrea no Brasil. A presença da linha de trem no parque da Luz se transferiu para nosso espetáculo, mas o trem é fantasma  Brasil afora. 
A melhor surpresa nossa é que o espetáculo funciona como na Luz nas várias cidades que percorremos. As pessoas acompanham as personagens e se emocionam com elas independente de onde estamos. As histórias tem uma humanidade que permite o espectador acompanhar a história sem barreiras. Isso foi um presente.
Passado o primeiro susto de Goiânia, fomos para Planaltina e lá contamos com a presença do nosso diretor, o André Carreira. Que nos permitiu tiramos dúvidas da adaptação e discutirmos bastante sobre o espetáculo e a função de cada cena. 
Em Palmas já estávamos bem mais seguras  para fazer o espetáculo. Foi nesta cidade que uma das atrizes apresentou problemas de saúde. Como ela ainda não tinha aval médico para continuar fazendo o espetáculos tivemos que a toque de caixa rever algumas ações  e não prejudicar o andamento do projeto. Em Belém para não cancelarmos uma cidade e ganharmos tempo para ensaiar uma stand-in, fizemos o espetáculo Canto a canto. É um espetáculo de rua, também itinerante, com música e poesia, feito para apenas uma pessoa. 
No primeiro dia fizemos no parque (?)....... mas pela falta de público no segundo dia fomos para a praça da República, onde acontece uma grande feira de artesanato com um grande número de pessoas o que justifica mudança de espaço.
Nesse meio tempo contatamos uma atriz, o que não é tarefa fácil, pois precisávamos de alguém forte com atriz para pegar o papel rápido e que tivesse disponibilidade. Escolhemos a atriz Paola Musatti que estreou em São Luís - MA no dia 30/08 lindamente! Foram duas semanas para assistir o vídeo, decorar o texto, adaptar cenário, como as fotos de personagem que percorrem o espetáculo, adaptação do figurino e remanejamento de orçamento,  dois dias de ensaio em São Paulo no parque da Luz, onde o André Carrei

ra também estava presente. Um projeto desse porte está sujeito a chuvas e trovoadas! E após essa trovoada, seguimos para Fortaleza, torcendo para a melhora da nossa companheira, que ela volte logo! E agradecidas com o talento e disposição da Paola Musatti pra garantir o prosseguimento do projeto. Fé em Deus e pé na estrada!
Vera Abbud



4 de set de 2013

Peguei o trem pra Teresina, em São Luís do Maranhão...





A última parada minha, foi em Palmas-TO, não fui pra Belém-PA... que pena... Mas, fui pra São Luís-MA... terra do reggae, de casarões e muitas praças – como diz o Rafa: “Scooby, aqui cai um casarão, vira praça!” e é verdade, muitas praças no meio de vários casarões... o Centro Histórico é muito bonito.
Após sairmos de SP na sexta de madrugada, 23h35 o horário do vôo, chegamos na capital Maranhense por volta de 3h da manhã e no sábado cedinho fomos para Pça. Gonçalves Dias, reconhecer o espaço e ensaiar. Espaço reconhecido, ensaio técnico realizado, pausa para o almoço e corre pro segundo e mais importante tempo, a apresentação, estréia da Paola Musatti.
Pra uma palhaça nata, essa tal de Paola Musatti está se saindo muito bem, uma “Graça” eu diria, rsrsrsrsrsrs piada interna, rsrsrsrsrsrsrs. Substituindo nossa dramaturga querida e maravilhosa atriz Dani Schitini com muita competência, Eliana e Paolinha arrancaram aplausos do público na cena que Maria Pequena lê cartas para Mariana.
A apresentação foi um sucesso, hora de guardar o ônibus, curtir o final do sábado e repetir a apresentação no domingo, simples assim... até a página 2... pois é, saindo da Pça. Gonçalves Dias o nosso ônibus apagou os faróis e todas as luzes internas, ventilador... tudo, era uma pane elétrica em pleno sábado à noite.
Mas, conhecemos uma pessoa muito popular em São Luís, o Sr. Manoel, taxista, descolado e, graças a ele, no domingo de manhã, 8h pra ser preciso, lá estávamos Rafa e Eu esperando o “Manézinho”... Deu certo, ele acionou um auto-elétrico conhecido que resolveu o problema antes do almoço! Voltamos pro hotel e ainda deu tempo de dar uma volta na feira... presentinho pra minha sobrinha garantido.
Almoço no restaurante “Criolas” com sucos de bacuri, buriti, cajá, cupuaçu, mmmm muito bom! Bora apresentar na Pça. Gonçalves Dias de novo e eis que, mais uma surpresa, desta vez reservada por São Pedro, que escureceu o céu e mandou aquela chuva! Enquanto a chuva não passava a dúvida pairava em nossas cabeças: cancelar, ou esperar? Esperamos e apresentamos, com atraso, mas apresentamos e foi lindo, com um baita público.
Pra encerrar um jantar com música alta e comida demorada, mas nada disso importa, pois neste final de semana demos mais um importante passo no projeto, apresentamos “Marias da Luz” na 5ª capital, restando mais sete ainda, que venha Fortaleza-CE, nossa próxima parada.
PS: O título deste post é um trecho de uma música da banda Tribo de Jah, do Maranhão
Abraço! Scooby
(Tiago Machado)
 

Relatos de Viagem Palmas-Belém





Confesso que não tinha planejado, nem sequer pensado no assunto, mas qdo se aproximava o dia de seguir para Belém com nosso ônibus teatro, dentro de mim despertou um desejo de continuar a viagem no ônibus, não  poderia e nem queria perder essa oportunidade única de atravessar  3 estados brasileiros: Tocantins, Maranhão e Pará, no nosso valente ônibus azul, o nosso querido Circular Teatro. Mesmo sabendo que era um trecho mais longo, 1.258Km, com um pouco de receio da Rodovia Belém – Brasilia, que na verdade nos surpreendeu com suas boas condições, decidi com muita expectativa percorrer mais esse trecho junto com Rafael Leite pilotando e dessa vez no apoio técnico, direto de Cuba, Carlos Ceiro .
1 dia segunda feira, 05 de agosto
Saímos de Palmas por volta de 9hs, cortando caminho por Barrolândia, e chegamos na Belém-Brasíia, muito movimentada:  carretas, carros e caminhões, mas para nossa surpresa, rodovia relativamente boa, alguns buracos, as vezes falta de acostamento, mas seguimos  bem. Paramos para almoçar ainda no estado do Tocantins,mas com a noite se  aproximando decidimos  dormir em Porto Franco, já no estado do Maranhão. Paisagem  e sotaques diferente, mas igual a curiosidade em relação ao nosso ônibus azul.   Chegando na pequena cidade percebemos um ruído estranho na parte baixa do ônibus, alerta pra na manha seguinte procurar um mecânico em terras maranhenses.
2 dia terça feira, 06 de agosto
Um dia difícil!!!logo cedo Rafael e Carlos foram procurar mecânico em Porto Franco, e batata,  problemas no rolamento do Cardam??? não sei exatamente do que se trata, mas sei que tínhamos que trocar a tal peça, o que foi feito, mas tb descobrimos que um dos pneus traseiros precisava ser trocado, compramos um meia vida que durou meia hora!Nova parada na estrada para o borracheiro improvisar um conserto até chegar na próxima cidade, Imperatriz, e comprar outro pneu, dessa vez novo. Imperatriz é uma cidade grande, a segunda do estado do Maranhão, lá foi feito a compra e a troca do pneu,  mas  um pouco incomodados com a correira, o trânsito e a grande desorganização, resolvemos seguir em frente, mesmo que anoitecendo, até a próxima cidade, Açailândia, onde paramos pra dormir. Na verdade o dia de hj foi bem desgastante e rodamos  pouco, acho que 250Km, mas nada como um bom descanso pra restabelecer nossas energias pra o novo dia.
3 dia quarta feira, 07 de agosto
Caímos na estrada bem cedo, antes das 8h pois a idéia é chegar ainda hj em Belém, e assim foi, por volta das 12h  entramos no estado do Pará, almoçamos em Ipixuna do Pará onde conhecemos o simpático Sr. Francisco, alegre e conversador, nos apresentou o prefeito da cidade e disse que gostaria muito de conhecer esse nosso “teatro”, que o que ele conhecia mesmo era “só circo”, e a lembrança do palhaço era a mais forte. Muito interessante como a paisagem muda, a estrada continua muito movimentada, cheia de retas, vendedores na beira da estrada e muito chão pela frente. Por volta de 18h já na Grande Belém pegamos a primeira chuva e tb um trânsito já bastante conhecido por nós que moramos em São Paulo, depois de dias nas estradas foi impactante cair na cidade grande, buzinas, poluição, anoitece e as luzes da cidade pulsam em Belém. Infelizmente, na madrugada quebraram o vidro do nosso ônibus, roubaram algumas coisas, nada de muito valor, mas a sensação é muito ruim, a violência é realmente  um grande nó, e difícil de desfazer,  além do mais, conseguir um vidro para nosso Modelo 1960 é bastante complicado, mas no final de semana conseguimos fazer uma adaptação e estamos pronto pra seguir viagem.
                       Eliana Bolanho